VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL DA COMUNIDADE QUILOMBOLA IMBÉ EM DECORRÊNCIA DA SECA NO MUNICÍPIO DE CAPOEIRAS, PERNAMBUCO, BRASIL

Equipe do projeto:  

Werônica Meira de Souza1, Marilene da Silva Lima1, Ricardo Brauer Vigoderis1, Wallysson Wagner Santos Vilela2, Walter Filho de Almeida Leal3, José Vinícius de Sales Silva3, Elaine Ferreira da Silva3, Pâmela Rodrigues Azevedo3, Maria Luana Pereira Torres3, Cláudio Jorge Moura de Castilho4, Josiclêda Domiciano Galvíncio4, Valéria Sandra de Oliveira Costa4, Maria do Carmo Martins Sobral4, Renata Maria Caminha Mendes de Oliveira Carvalho4


Pubblicato il 21 giugno 2018


1 Professor (a) da Unidade Acadêmica de Garanhuns da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UAG/UFRPE, weronicameira@gmail.com; marilenelima1977@gmail.com; vigoderis@yahoo.com.br;

2 Estudante de Agronomia da UAG/UFRPE;

3 Estudante de Engenharia da UAG/UFRPE;

4 Professor (a) da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

A região Semiárida do Nordeste do Brasil, incluindo a Comunidade Quilombola do Imbé, localizada no município de Capoeiras em Pernambuco, Brasil (Figura 1),  tem sido palco de riscos que vem proporcionando há décadas desastres ambientais, aumentando a vulnerabilidade da população que enfrenta praticamente todos os anos os drásticos efeitos da seca em função das dificuldades em conseguir o essencial para sobrevivência em ambientes como o Semiárido: a água.

Figura 1 – Mapa do Brasil com identificação da região Semiárida e do estado de Pernambuco, com destaque para o município de Capoeiras-PE e localização do Imbé (Comunidade Quilombola do Imbé).

Diante dessa problemática, o projeto emergiu   a partir de grupos de pesquisadores da Unidade Acadêmica de Garanhuns-UAG/Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE, UFPE e IFPE provenientes de diferentes áreas do saber que estavam preocupados com a ausência de políticas públicas que garantissem a infraestrutura necessária à convivência com o clima semiárido no estado de Pernambuco. Em dezembro de 2016, parte do grupo de professores e discentes ligados ao projeto da UAG/UFRPE visitou a Comunidade Quilombola do Imbé, território (remanescente em que se estabeleceram descendentes de ex-escravos) isolado e de difícil acesso, localizado a 17 km da sede do seu município (Capoeiras), situado no Agreste Meridional de Pernambuco, região Semiárida. Essa comunidade possui uma população em torno de 1000 habitantes, com 160 famílias residentes, que vivem sob condições precárias de habitação e acesso a serviços públicos como os de educação e saúde. O índice de analfabetismo é de aproximadamente 89%, majoritariamente entre a população adulta. A renda auferida baseia-se, sobretudo, em programas de auxílio do governo brasileiro como o bolsa família e aposentadoria dos idosos. A Comunidade criou mecanismos de autoproteção e formas de subsistências visando ao enfrentamento dos seus problemas, como a comercialização de pequenos animais, por exemplo. A aproximação de outros grupos é vista pela Comunidade, inicialmente, com desconfiança, inclusive porque ainda se acha em processo de luta pela terra. Entretanto, uma vez desfeita a “barreira”, os quilombolas tornam-se receptivos e ávidos por ações sociais no seu território de existência. Assim, o desafio do projeto consistiu, inicialmente, em reaproximarmo-nos, enquanto Universidade, dos quilombolas a fim de encorajá-los a organizarem-se como um grupo comunitário, visando levá-los a solucionarem e/ou mitigarem seus problemas. Discutiu-se sobre as necessidades emergenciais com a equipe do projeto, buscando parcerias para mitigar os problemas de  infraestrutura e sociais encontrados. 

Algumas ações já foram realizadas como: oficinas de artesanatos (decoupage, argila); construção de um forno solar de baixo custo; desidratador solar de alimentos de baixo custo. Também foi realizada uma parceria com o Núcleo Agrofamiliar da UAG/UFRPE, e criado um espaço de comercialização dos seus produtos em uma feira de pequenos agricultores, na cidade de Garanhuns-PE. Na atualidade, a equipe do projeto continua executando oficinas de decoupage com técnicas mais avançadas para agregar valor comercial aos produtos; está sendo desenvolvido um aquecedor solar de água de baixo custo; um dessalinizador solar de baixo custo e a confecção de uma apostila ilustrativa de apoio para cada participante capacitado na comunidade.

Com a reaproximação e atuação da Universidade, evidenciou-se que os moradores ficaram ainda mais coesos em grupos para articular as soluções da falta d’água, bem como fortes para a fiscalização em relação ao fornecimento da água. Com o apoio no que tange à introdução de novos equipamentos, notou-se a diminuição dos custos, gerando produtos para comercializarem na feira e incrementando estratégias de auferimento da sua própria renda. As ações do projeto estão contribuindo, portanto, para devolver esperança, dignidade e habilidades aos Quilombolas, comunidade desfavorecida em função das injustiças e desigualdades territoriais do Brasil.