RELATO DE EXPERIÊNCIA NO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO: FEIRA DE “SABERES, SEMENTES E SABORES” NO MUNICÍPIO DE BREJINHO - BRASIL


De BAUTISTA Diana Carolina Gomez (Doutoranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA/UFPE, membro grupo Movimentos Sociais e Espaço Urbano MSEU-UFPE) e SILVA, Valcilene Rodrigues (Profa. Universidade Federal de Piauí - UFPI) 

Pubblicato il 7 settembre 2018


Para contextualizar, o semiárido brasileiro apresenta-se como uma realidade dinâmica, complexa, sendo um verdadeiro mosaico principalmente pelas suas características físicas, marcado por seu déficit hídrico, pelas irregularidades das precipitações pluviométricas, pelas altas temperaturas e índices de evaporação (MALVEZZI, 2007). Neste contexto, a experiência da Feira de ‘Saberes, Sementes e Sabores’ no semiárido brasileiro nasce como uma estratégia sustentável como chave na construção do conhecimento agroecológico e na promoção da agroecologia em Brejinho, no intuito de inserir práticas integradoras desde o ponto de vista ambiental, político e social.

A referida feira acontece, anualmente, na comunidade de Vila de Fátima em Brejinho (Figura 01), município que conta com uma população estimada para 2016 de aproximadamente 7.464 habitantes (IBGE, 2016) e está constituída predominantemente por minifúndios.

Figura 01 – Localização Geográfica do município de Brejinho-PE.

Fonte: IBGE, arquivo shape, 2000. Elaboração: Valcilene Rodrigues, 2015.

Nota: Brejinho, município do semiárido pernambucano localizado na Microrregião Sertão do Pajeú.

A Feira de Saberes, Sementes e Sabores, foi fruto da execução do projeto: “Pluriatividade: alternativa de conservação dos recursos naturais em minifúndios do Semiárido” desenvolvido em parceria com o Programa Semear no ano 2015. O objetivo do projeto era promover a disseminação dos saberes dos agricultores e agricultoras familiares, e este foi dado através de diversas estratégias, dentro da que se destaca a realização da “I feira de saberes, sementes e sabores”, onde houve a exposição de produtos resultantes da diversidade de atividades agrícolas e não agrícolas praticadas pelas famílias do município de Brejinho, e a troca de sementes nativas (crioulas).

O evento na sua primeira edição em novembro de 2015, contou com a participação de mais de 320 agricultores das comunidades do Sítio Caldeirão, Sítio Lagoa dos Campos e Vila de Fátima. (Figura 02).

Figura 02 – Atividades culturais e produtos da agricultura familiar na I Feira de Saberes, Sementes e Sabores de Brejinho PE

Foto: Alzê Fotografia, em Novembro/2015.

A II Feira de Saberes, Sementes e Sabores foi realizada em julho de 2016 ampliando o número de associações e participantes atingindo um público de aproximadamente 600 pessoas. (Figura 03).

Figura 03 - Atividades culturais e produtos da agricultura familiar na II Feira de Saberes, Sementes e Sabores de Brejinho PE
Foto: Alzê Fotografia, em julho/2016.

Destaca-se que o principal objetivo da II e III feira, foi a sensibilização e divulgação da importância da conservação, a biodiversidade e multiplicação das sementes crioulas utilizadas historicamente pelos agricultores, além de promover o intercâmbio de experiências, as tradições e os saberes dos agricultores e agricultoras e o fortalecimento dos bancos de sementes locais. (figura 04).

Figura 04 - Atividades culturais e produtos da agricultura familiar na III Feira de Saberes, Sementes e Sabores de Brejinho PE
Foto: Bautista, Diana; Rodrigues, Valcilene. em Agosto/2016.

Como principais atividades agropecuárias no município encontram-se os cultivos anuais de feijão de corda, milho, batata doce e macaxeira; a criação bovina, caprina e ovina, e outras atividades complementares como pequeno comércio (artesanatos), e prestação de serviços (BAUTISTA; SILVA, 2015). Neste sentido, a Feira converteu-se num espaço onde os agricultores e agricultoras apresentam seus produtos e tem acesso a uma maior variedade de sementes. Desta forma a Feira também promoveu a importância do uso de sementes e mudas de plantas medicinais que eram muito utilizadas em décadas passadas, mas, que recentemente estavam sendo esquecidas.

Do mesmo modo, o processo de organização das feiras foi importante pois proporcionou a formação das comunidades como atores principais na construção e disseminação de seus conhecimentos tradicionais e experiencias, despertando nas comunidades e gestores locais a necessidade da utilização de estratégias para a sustentabilidade local acordes a realidade do semiárido.

Pelo anterior, a experiência relatada é também relevante na medida que promove a construção do conhecimento agroecológico como um novo modo de pensar a relação sociedade-natureza.



REFERÊNCIAS

 BAUTISTA, D. C. G. SILVA, V. R. Pluriactividad una opción para la sustentabilidad en el Semiárido brasileño: caso minifundios del municipio de Brejinho/PE. Movimentos Sociais e Dinâmicas Socioespaciais, Recife, v. 04, n. 2. dezembro 2015. Disponivél em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistamseu/article/view/229886>. Acesso em abril de 2018.

IBGE. Pernambuco. Brejinho. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.phplang=&codmun=260250>. Acesso em: 24 abril. 2017. 

MALVEZZI, R. Semiárido: uma visão holística. Brasília: Confea, 2007.